Categoria: Cultura

  • Estátua de Iemanjá na Praia do Cassino: significado e história

    Estátua de Iemanjá na Praia do Cassino: significado e história

    A estátua de Iemanjá na Praia do Cassino, em Rio Grande (RS), é uma escultura em cimento com cerca de 2,10 metros de altura e cerca de duas toneladas, feita pelo escultor rio-grandino Érico Gobbi. Instalada na desembocadura da Avenida Rio Grande, junto à orla, ela é considerada pelos praticantes do Batuque e da Umbanda na cidade o maior símbolo de fé dessas religiões, e é o ponto central da tradicional Festa de Iemanjá, celebrada todos os anos ao redor do dia 2 de fevereiro.

    Quem chega ao Cassino pela Avenida Rio Grande esbarra na estátua antes mesmo de ver o mar. Não é um monumento decorativo colocado ali por acaso: ela nasceu de um pedido popular, foi paga por assinatura da comunidade e virou, ao longo de cinco décadas, o marco físico de uma fé que durante muito tempo teve pouco espaço público reconhecido no Rio Grande do Sul. Entender a estátua exige entender também quem foi Érico Gobbi, por que ela foi colocada exatamente ali e o que representa, na prática, para quem participa da festa todos os anos.

    Onde fica a estátua e o que ela representa

    A estátua está posicionada de frente para o mar, na entrada e saída principal da Praia do Cassino, no ponto em que a Avenida Rio Grande desemboca na orla, no município de Rio Grande, extremo sul do Rio Grande do Sul. É descrita por quem cuida do local como um templo ao ar livre, um espaço de meditação e oração aberto o ano inteiro, não apenas durante a festa de fevereiro.

    A Praia do Cassino, vale registrar, é a praia contínua mais extensa do mundo, com cerca de 212 quilômetros de areia no ponto mais austral do litoral brasileiro. A estátua funciona como o marco visual da chegada a esse trecho de praia urbanizada: é o primeiro grande elemento que separa a cidade do areal.

    Iemanjá, na tradição afro-brasileira representada ali, é cultuada como a divindade das águas, protetora dos pescadores e, para muitos devotos, uma figura materna associada à vida e à fertilidade. A estátua do Cassino não é uma réplica de nenhuma imagem europeia de santa católica sincretizada. Trata-se de uma criação autoral de Gobbi, pensada especificamente para aquele trecho de praia e para aquela comunidade religiosa.

    Quem esculpiu a estátua de Iemanjá do Cassino

    A trajetória do escultor rio-grandino

    Érico Gobbi nasceu em Rio Grande em 9 de agosto de 1925 e morreu na mesma cidade em 14 de agosto de 2009. Autodidata em boa parte de sua formação prática, começou a trabalhar com escultura ainda jovem: em 1948 ajudou o escultor Matteo Tonietti a esculpir monumentos na Praça Xavier Ferreira, entre eles o Monumento à Mãe e o conjunto conhecido como “os meninos de calça curta, boné e suspensório”. Na mesma praça, assinou sozinho a Pira da Pátria.

    Ao longo da carreira, produziu mais de cem obras. Tem monumentos em Caxias do Sul, Porto Alegre, Curitiba e São Paulo, além de uma imagem de Nossa Senhora das Graças enviada aos Estados Unidos. Na Praça Tamandaré, em Rio Grande, é dele a estátua de Jesus Cristo e o florão do pedestal do monumento ao general Bento Gonçalves.

    Nenhuma dessas obras, no entanto, alcançou a visibilidade da estátua de Iemanjá. É a peça pela qual Gobbi é lembrado fora dos círculos de história local, e a que aparece em praticamente todo material turístico sobre o Cassino.

    Outras obras e o destino do acervo

    Uma das produções mais ambiciosas de Gobbi foi um monumento equestre a Rafael Pinto Bandeira, herói da retomada de Rio Grande do domínio espanhol em 1776. A escultura, com quase três metros de altura e cerca de duas toneladas, foi concluída em 1975, mas nunca chegou a ser fundida em bronze por falta de patrocínio. Ficou no ateliê do escultor até sua morte, e é apontada por reportagens locais recentes como um símbolo do descaso com a memória de Gobbi: seu centenário de nascimento, em 2025, passou praticamente despercebido na cidade, com o ateliê fechado e o acervo sem solução definitiva.

    Hoje, a preservação da galeria e das obras que ficaram sob guarda particular é responsabilidade do filho do artista, Edisom Gobbi. Já as peças em espaços públicos, caso da estátua de Iemanjá, são de responsabilidade da prefeitura do Rio Grande.

    Como e quando a estátua foi feita

    Aqui existe uma divergência entre fontes que vale registrar em vez de esconder. Um levantamento acadêmico sobre a festa aponta que a escultura foi concluída em 1971, e que, a partir daí, a população começou a arrecadar fundos para comprá-la do escultor, adquirindo-a por trinta e cinco mil cruzeiros após debates sobre onde ela deveria ficar. Já outro registro sobre a história da festa afirma que Gobbi teve a ideia da estátua observando a euforia popular durante os festejos de 1971, começou a esculpi-la em 1972 e só a concluiu em 1973, período em que a peça ficou exposta em seu próprio ateliê, atraindo visitantes de Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo antes de ser instalada na praia.

    Os dois relatos concordam em pontos centrais: a estátua foi feita em cimento, pesa em torno de duas toneladas, mede cerca de 2,10 metros de altura e foi comprada de Gobbi por assinatura popular, não encomendada nem paga pelo poder público. A diferença está apenas em quando exatamente o processo começou e terminou, provavelmente porque um relato descreve a conclusão da escultura em si e o outro, o processo de arrecadação e negociação até ela ficar pronta para instalação. Não há, nas fontes disponíveis, uma data oficial e documentada de inauguração no local atual.

    Na prática, isso significa que a estátua não chegou pronta e patrocinada por um município que já reconhecia a religião de matriz africana como parte da sua identidade oficial. Ela existe porque um grupo de devotos se cotizou para comprá-la de um artista local, num momento em que o Batuque e a Umbanda ainda enfrentavam preconceito aberto no Rio Grande do Sul.

    O significado religioso para o Batuque e a Umbanda

    Para os praticantes do Batuque e da Umbanda em Rio Grande, a estátua é descrita como o maior símbolo de fé dessas religiões na cidade. Isso não é força de expressão: ao contrário de terreiros, que são espaços privados e muitas vezes discretos por causa do racismo religioso histórico, a estátua é um monumento público, visível de qualquer ponto da orla, que existe abertamente em nome de uma divindade afro-brasileira.

    O detalhe que costuma passar despercebido por quem vê a estátua só de passagem é que ela funciona como altar permanente, não apenas durante a festa de fevereiro. Fiéis deixam oferendas, acendem velas e fazem orações no local ao longo do ano, tratando o espaço como um templo ao ar livre.

    Essa dimensão simbólica ficou ainda mais explícita nos últimos anos, quando lideranças religiosas passaram a associar a proteção de Iemanjá à defesa ambiental das águas e do litoral, ligando a fé de matriz africana a pautas de justiça climática. É uma leitura contemporânea que se soma ao significado tradicional, sem substituí-lo.

    A Festa de Iemanjá na Praia do Cassino

    Quando acontece e o que envolve

    O calendário da Festa de Iemanjá no Balneário Cassino costuma se estender de 27 de janeiro a 2 de fevereiro, data em que se celebra o Dia de Iemanjá. A programação reúne acampamento de terreiros na orla, com barracas de diferentes casas de Batuque e Umbanda oferecendo atendimento espiritual à população, além de rituais e cerimônias abertas ao público.

    O evento tem raiz na Festa de Iemanjá realizada na cidade do Rio Grande desde a década de 1960, mas a celebração específica no Balneário Cassino, com a estrutura que existe hoje ao redor da estátua, é mais recente: em 2025 foi comemorado o jubileu de ouro, os cinquenta anos da festa naquele formato, o que situa sua origem por volta de 1975, período próximo ao da instalação da própria estátua no local.

    O roteiro da procissão até a estátua

    Dois deslocamentos organizam a festa. A Caminhada de Iemanjá parte do Pórtico do Município do Rio Grande em direção ao Balneário Cassino. Já a Procissão das Casas, Ilês e Terreiros segue pela Avenida Rio Grande, passa diretamente pela estátua e termina na beira da praia, onde acontecem as entregas de oferendas e outras cerimônias de encerramento.

    Em anos de restrição sanitária, como em 2022, a organização já precisou adaptar o formato tradicional: a procissão pela avenida e os acampamentos foram suspensos, substituídos por uma carreata alternativa até a estátua, com apoio da prefeitura para orientar o trajeto e oferecer pontos de apoio com água e banheiros químicos aos fiéis que preferissem caminhar. É um exemplo de como a tradição se manteve mesmo quando o formato precisou mudar, o que diz algo sobre a centralidade da estátua nesse ritual: mesmo sem procissão completa, o ponto de chegada continuou sendo o mesmo.

    Fora do período da festa, a estátua segue recebendo visitantes, turistas e fiéis isolados, sem estrutura de acampamento ou controle de acesso especial. Quem visita o Cassino em qualquer época do ano encontra o monumento normalmente acessível, junto à orla.

    Ficha técnica da estátua

    Característica Informação
    Escultor Érico Gobbi (Rio Grande, 1925 a 2009)
    Material Cimento
    Altura Aproximadamente 2,10 metros
    Peso Aproximadamente duas toneladas
    Localização Desembocadura da Avenida Rio Grande, Praia do Cassino, Rio Grande (RS)
    Origem dos recursos Assinatura popular, cerca de trinta e cinco mil cruzeiros
    Ano de conclusão Fontes divergem: 1971 (levantamento acadêmico) ou 1973 (registro sobre a história da festa)
    Uso principal Culto permanente e ponto central da Festa de Iemanjá, em torno de 2 de fevereiro

    A estátua de Iemanjá na Praia do Cassino carrega, ao mesmo tempo, uma história de arte popular e uma história de disputa por espaço religioso. Não é apenas um ponto turístico com boa vista para o mar mais longo do Brasil. É o resultado de uma comunidade que decidiu pagar, do próprio bolso, por um símbolo público de uma fé que nem sempre teve lugar reconhecido fora dos terreiros. Visitar o local sabendo disso muda a forma de olhar para ele, esteja você lá em fevereiro, no meio da procissão, ou num dia qualquer de praia vazia.


    Perguntas frequentes

    Quem fez a estátua de Iemanjá do Cassino?

    A estátua foi esculpida pelo artista rio-grandino Érico Gobbi (1925 a 2009), autor de mais de cem obras espalhadas por Rio Grande e outras cidades brasileiras. É considerada sua peça mais conhecida.

    Em que ano a estátua foi construída?

    Depende da fonte consultada. Um levantamento acadêmico indica que ela foi concluída em 1971. Outro relato sobre a história da festa descreve que Gobbi teve a ideia em 1971, começou a esculpir em 1972 e terminou em 1973. Não há uma data de inauguração no local documentada de forma unânime.

    De que material a estátua é feita e qual o tamanho dela?

    É feita de cimento, mede cerca de 2,10 metros de altura e pesa em torno de duas toneladas.

    Onde exatamente fica a estátua na Praia do Cassino?

    Fica na desembocadura da Avenida Rio Grande, no ponto de entrada e saída principal da praia, de frente para o mar, no município de Rio Grande (RS).

    Qual é o significado da estátua para a Umbanda e o Batuque?

    É tratada como o maior símbolo de fé dessas religiões de matriz africana na cidade. Funciona como templo ao ar livre, usado para oração e oferendas durante o ano inteiro, além de ser o destino da procissão da Festa de Iemanjá.

    Quando acontece a Festa de Iemanjá no Cassino?

    A programação costuma ocorrer entre 27 de janeiro e 2 de fevereiro, data do Dia de Iemanjá. Inclui acampamento de terreiros, caminhada até o Balneário Cassino e procissão pela Avenida Rio Grande até a estátua, com entrega de oferendas na praia.

    É possível visitar a estátua fora do período da festa?

    Sim. O monumento fica acessível na orla durante todo o ano, sem estrutura especial de acampamento ou controle de acesso, e recebe tanto turistas quanto fiéis em visitas isoladas.

    A estátua do Cassino é a mesma de outras cidades brasileiras?

    Não. Existem diversas estátuas de Iemanjá pelo Brasil, cada uma com autoria e características próprias. A de Praia Grande (SP), por exemplo, tem cerca de oito metros e uma base com espelho d’água, bem diferente da peça de 2 metros em cimento feita por Érico Gobbi no Cassino.

    Quanto custou a estátua e quem pagou por ela?

    Segundo o levantamento acadêmico sobre a história da festa, a comunidade arrecadou cerca de trinta e cinco mil cruzeiros para comprar a escultura do artista, num processo de assinatura popular, não de encomenda ou financiamento público.

    A prefeitura do Rio Grande cuida da estátua?

    As obras de Érico Gobbi em espaços públicos, incluindo a estátua de Iemanjá, ficam sob responsabilidade da Prefeitura Municipal do Rio Grande. Já o acervo particular do escultor, guardado em seu antigo ateliê, é de responsabilidade da família.

  • Feira do Produtor do Cassino: o que encontrar e quando visitar

    Feira do Produtor do Cassino: o que encontrar e quando visitar

    A Feira do Produtor do Cassino acontece todos os sábados de manhã, na Avenida Atlântica, entre dezembro e o início de março, reunindo cerca de 55 produtores rurais de Rio Grande, São Lourenço do Sul, Pelotas e Morro Redondo. É considerada a feira de produtores mais antiga do litoral gaúcho, com mais de 40 anos de história, e reúne hortaliças, frutas, pescado, pães, queijos, doces e artesanato rural direto do produtor ao consumidor.

    Quem pesquisa esse tema geralmente está organizando a viagem de verão ao Cassino e quer saber se a feira ainda funciona, em que dias e o que dá para encontrar por lá. Este guia reúne o histórico, o funcionamento atual e os produtos mais procurados.

    Quando funciona a Feira do Produtor

    A feira funciona exclusivamente aos sábados pela manhã, na Avenida Atlântica, no Balneário Cassino, com temporada concentrada no verão, geralmente iniciando em meados de dezembro e seguindo até o início de março. Isso significa que, fora desse período, a feira não funciona, o que é importante confirmar antes de organizar uma viagem fora da alta temporada especificamente para visitá-la.

    Os horários de funcionamento variam ligeiramente conforme a temporada e registros de diferentes anos, geralmente entre 7h e 14h, com algumas edições registradas entre 8h e 13h. Vale confirmar o horário atualizado junto à Prefeitura de Rio Grande ou à Emater/RS-Ascar antes da visita, já que pequenos ajustes de horário podem ocorrer de uma temporada para outra.

    A história de mais de 40 anos da feira

    A Feira do Produtor teve início em 4 de dezembro de 1986, com a participação de apenas 10 famílias, um começo modesto que se transformou, ao longo de quatro décadas, na mais antiga feira de produtores ainda em funcionamento no litoral do Rio Grande do Sul. Segundo relatos de moradores e da administração municipal, a feira foi criada inicialmente para atender aos visitantes da antiga colônia de férias da Refinaria Ipiranga, e foi ganhando espaço até se tornar o ponto de encontro semanal de moradores e veranistas do balneário.

    O crescimento em número de participantes acompanhou essa trajetória: na temporada 2007/2008, já eram 45 famílias expondo produtos; em edições mais recentes, o número consolidou-se em torno de 55 produtores, vindos não só de Rio Grande, mas também de municípios vizinhos como São Lourenço do Sul, Pelotas e Morro Redondo. Em uma das temporadas registradas, a feira comercializou 174.419 quilos de produtos, gerando receita de R$ 381.872,89 para os agricultores familiares participantes.

    O que encontrar na feira

    O perfil de produtos da feira mudou ao longo dos anos. Inicialmente voltada quase exclusivamente a produtos in natura, como hortaliças e frutas, a feira ampliou seu escopo para incluir itens de agroindústria familiar, o que hoje inclui pescado, pães, doces, queijos e vinhos, além de artesanato rural produzido pelos próprios agricultores e suas famílias.

    Entre os produtos mais associados à identidade da feira está a jurupiga, bebida artesanal tradicional da região, feita a partir da fermentação parcial do mosto da uva, frequentemente citada como um dos itens característicos das bancas locais. A diversidade de produtos reflete a origem dos participantes: como boa parte dos produtores vem de Rio Grande, mas outros trazem itens de municípios vizinhos, a feira consegue oferecer uma variedade maior do que o que seria produzido isoladamente pela agricultura familiar de um único município.

    O reconhecimento como patrimônio cultural

    Em fevereiro de 2026, a Feira do Produtor do Cassino recebeu reconhecimento oficial como Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Rio Grande, por meio da Lei nº 9.400, sancionada pela prefeita Darlene Pereira durante um ato realizado na própria feira. A proposta foi de autoria do presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Rogério Gomes.

    Esse reconhecimento reforça o papel da feira como mais do que um simples ponto de comércio: ela é tratada oficialmente como parte da identidade cultural do balneário e da cidade. Junto ao título, foi anunciado um investimento de R$ 400 mil, obtido por emenda parlamentar, destinado à requalificação do espaço físico da feira e à construção de novas bancas, o que deve ampliar tanto a estrutura de comercialização quanto o caráter cultural do evento nos próximos anos.

    Dicas práticas para visitar

    Isso funciona bem para quem organiza a viagem de verão pensando em incluir a feira no roteiro: como o funcionamento é restrito aos sábados de manhã, durante a temporada de verão, vale planejar a chegada ao Cassino considerando esse dia específico, caso a visita à feira seja uma prioridade do roteiro.

    Chegar mais cedo, próximo ao horário de abertura, costuma garantir mais opções de produtos frescos, especialmente pescado e hortaliças, que tendem a esgotar ao longo da manhã em dias de maior movimento. Além dos produtos à venda, algumas edições recentes da feira incluem atividades paralelas voltadas aos veranistas, como oficinas de promoção da saúde, atividades de reciclagem e encontros temáticos sobre agricultura familiar, promovidos por instituições parceiras como parte de programações de verão da administração municipal.

    A Feira do Produtor do Cassino é um dos poucos programas do balneário que resistiu praticamente intacto ao longo de quatro décadas, sustentado pela agricultura familiar da região e por uma relação de proximidade entre produtor e consumidor cada vez mais rara em destinos turísticos. Para quem visita o Cassino no verão, incluir um sábado de manhã na Avenida Atlântica no roteiro é uma forma de conhecer um lado da cultura local que não aparece nas fotos de praia, mas que sustenta boa parte da identidade e da economia da comunidade que vive ali o ano inteiro.

    Perguntas frequentes

    Em que dias funciona a Feira do Produtor do Cassino?

    Funciona exclusivamente aos sábados pela manhã, durante a temporada de verão, geralmente entre dezembro e o início de março, na Avenida Atlântica.

    A Feira do Produtor funciona o ano inteiro?

    Não. O funcionamento é sazonal, concentrado na temporada de verão. Fora desse período, a feira não ocorre, então vale confirmar as datas específicas antes de planejar a visita.

    O que dá para comprar na Feira do Produtor do Cassino?

    Hortaliças, frutas, pescado, pães, queijos, doces, vinhos e artesanato rural, além da tradicional jurupiga, bebida artesanal característica da região, produzida a partir da fermentação parcial do mosto da uva.

    Por que a Feira do Produtor foi declarada patrimônio cultural?

    Em fevereiro de 2026, a feira recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Rio Grande, reconhecimento que valoriza sua história de mais de 40 anos e seu papel como ponto de encontro tradicional entre moradores, veranistas e agricultores familiares da região.

    Vale a pena visitar a Feira do Produtor mesmo sem intenção de comprar nada?

    Sim. Além da compra de produtos, a feira funciona como um retrato da cultura local e da agricultura familiar da região, com boa chance de encontrar atividades paralelas em temporadas mais recentes, como oficinas e encontros temáticos abertos ao público.

  • Bailinho da Igreja: tradição e história no Cassino

    O Bailinho da Igreja é um baile popular ao ar livre que acontece no Balneário Cassino, tradicionalmente ligado à área próxima da Paróquia Sagrada Família, e reconhecido oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Rio Grande, em 2017. Funciona de quinta a domingo, à noite, reunindo moradores e frequentadores antigos em torno da dança e da convivência comunitária, num formato simples e gratuito que sobrevive há gerações.

    Quem pergunta sobre o Bailinho geralmente já ouviu falar dele por moradores do Cassino ou encontrou o evento por acaso durante uma caminhada noturna pela Avenida Rio Grande.

    O que é o Bailinho da Igreja

    O Bailinho da Igreja é, na essência, um baile popular ao ar livre, sem grande estrutura de produção, voltado à comunidade local do Balneário Cassino. O nome vem da proximidade histórica do evento com uma igreja da região, um detalhe que explica a origem popular do nome, mesmo sem se tratar de um evento religioso em si.

    Diferente de festas de verão voltadas ao turista, o Bailinho é descrito por quem o frequenta como um encontro recorrente, mantido por moradores que voltam ano após ano. Uma frequentadora antiga do evento relatou à imprensa local frequentar o Bailinho há anos ao lado do marido, o tipo de depoimento que ajuda a entender por que o evento resistiu ao tempo mesmo sem grande divulgação turística.

    O reconhecimento como patrimônio cultural

    O detalhe mais importante e verificável sobre o Bailinho é o seu status oficial. O evento foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Rio Grande por meio do Projeto de Lei nº 8.085/17, proposto pelo então vereador Rogério Gomes e aprovado pela Câmara Municipal, com sanção do prefeito Alexandre Lindenmeyer.

    Esse reconhecimento formal separa o Bailinho de uma simples festa informal: ele passa a integrar oficialmente o patrimônio cultural imaterial da cidade, categoria reservada a práticas, saberes e expressões que a administração pública reconhece como parte relevante da identidade local. Na prática, isso também justifica investimentos públicos posteriores no espaço onde o baile acontece, como mostra a reforma do local em anos seguintes.

    A mudança para um novo espaço

    Em abril de 2023, a Prefeitura de Rio Grande inaugurou um novo espaço para o Bailinho da Igreja, na Avenida Atlântica, dentro do Balneário Cassino. O evento de inauguração contou com a presença do prefeito Fábio Branco e do secretário do Cassino, Sandro de Oliveira, conhecido como Boka, que destacou a importância da reforma para dar mais estrutura ao baile, mantendo o caráter comunitário e de baixo custo que sempre caracterizou a tradição.

    O secretário descreveu o Bailinho como um evento frequentado durante o ano inteiro, não apenas na temporada de verão, o que reforça seu papel como ponto de encontro permanente da comunidade do Cassino, e não apenas como atração sazonal voltada a turistas.

    Horários e como participar

    O Bailinho da Igreja funciona de quinta-feira a domingo, das 20h às 23h. É um evento aberto, sem necessidade de reserva ou ingresso formal, o que reforça seu caráter popular e acessível.

    Isso funciona bem para quem está hospedado no Cassino e quer uma experiência autêntica da cultura local à noite, fora do circuito de bares e restaurantes voltados ao turista. Vale reforçar que horários de eventos comunitários como esse podem sofrer ajustes conforme a época do ano ou reformas no espaço, então confirmar a informação atualizada junto à Secretaria de Município do Cassino antes de planejar a visita é uma precaução sensata.

    Por que essa tradição resiste no Cassino

    O problema começa quando se tenta explicar a permanência de tradições populares como essa apenas pelo viés turístico. O Bailinho não foi criado para atrair visitantes, e isso é justamente o que garante sua continuidade: ele responde a uma necessidade real de convivência da comunidade local, especialmente de moradores mais antigos do balneário, que encontram ali um espaço de encontro recorrente, gratuito e informal.

    Esse tipo de prática se sustenta pela repetição semanal e pelo vínculo afetivo entre frequentadores, não por campanhas de marketing turístico. É esse caráter espontâneo, aliás, que levou ao reconhecimento oficial como patrimônio imaterial, uma forma de proteção que reconhece o valor cultural de práticas que muitas vezes passam despercebidas por quem só visita a região de forma pontual.

    O Bailinho da Igreja é um dos poucos atrativos do Cassino que não foi criado para o turista, e é exatamente por isso que vale a pena conhecê-lo. Quem visita o balneário à noite, fora do circuito de restaurantes e bares mais badalados, encontra ali um retrato mais autêntico da vida comunitária local, com décadas de continuidade reconhecidas oficialmente como patrimônio da cidade. Não é um espetáculo pensado para impressionar visitantes, e talvez seja justamente essa simplicidade que explica por que a tradição segue viva.

    Perguntas frequentes

    O que é o Bailinho da Igreja no Cassino?

    É um baile popular ao ar livre, tradicional do Balneário Cassino, ligado historicamente à proximidade de uma igreja da região. Reúne moradores e frequentadores antigos em um formato simples, gratuito e recorrente.

    Quando funciona o Bailinho da Igreja?

    Funciona de quinta-feira a domingo, das 20h às 23h, durante o ano inteiro, não apenas na temporada de verão.

    O Bailinho da Igreja é um evento religioso?

    Não. Apesar do nome, que remete à proximidade histórica com a Paróquia Sagrada Família, é um evento de caráter social e comunitário, não uma atividade religiosa.

    É preciso pagar para participar do Bailinho da Igreja?

    Não há indicação de cobrança de ingresso para participar do Bailinho, que mantém o caráter de evento popular e acessível à comunidade.

    Por que o Bailinho da Igreja foi declarado patrimônio cultural?

    Foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Rio Grande em 2017, por meio de projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal, um reconhecimento formal do valor da tradição para a identidade cultural da cidade e do balneário.