A Área de Proteção Ambiental (APA) da Lagoa Verde é uma unidade de conservação de uso sustentável criada em 22 de abril de 2005 pelo município de Rio Grande, com cerca de 510 hectares que abrangem a Lagoa Verde, os arroios Bolaxa e Senandes e o Canal São Simão. Fica a poucos minutos da Praia do Cassino, entre o balneário e o centro da cidade, e protege um dos últimos conjuntos preservados de marismas, banhados, matas de restinga e dunas interiores dentro da área urbana de Rio Grande.
Quem só conhece o Cassino pela praia costuma ignorar que, a curta distância dali, existe um mosaico de ecossistemas raros mesmo para os padrões do litoral gaúcho. A APA da Lagoa Verde não compete com a praia em fama, mas cumpre uma função que a praia sozinha não cumpre: sustenta a regulação hídrica da região, abriga espécies como lontras e capivaras e funciona como amortecedor natural contra enchentes em eventos climáticos extremos. Este texto explica o que forma essa área protegida, como visitá-la e por que ela importa tanto para quem mora ali quanto para quem só passa pela cidade a caminho da praia.
O que é e o que protege a APA da Lagoa Verde
A APA da Lagoa Verde é classificada como Unidade de Conservação de Uso Sustentável, categoria que busca conciliar a proteção ambiental com atividades humanas compatíveis com a preservação, como agricultura familiar, pesca artesanal, educação ambiental e ecoturismo. Diferente de uma reserva de proteção integral, ela não proíbe a presença humana na área, mas regula o tipo de uso permitido dentro de seus limites.
A unidade inclui a Lagoa Verde propriamente dita, com uma faixa de proteção de 200 metros ao redor de suas margens, além dos arroios Bolaxa e Senandes e do Canal São Simão, cada um protegido por uma faixa de 100 metros. Juntos, esses corpos hídricos formam um sistema interligado que desempenha funções ambientais que vão muito além dos limites da própria APA.

Os ecossistemas dentro da área protegida
Dentro dos 510 hectares da APA da Lagoa Verde é possível encontrar diferentes ecossistemas costeiros que raramente aparecem juntos em uma única unidade de conservação urbana: marismas, banhados, campos litorâneos, matas de restinga e paleodunas, formações de dunas antigas já estabilizadas pela vegetação.
Essa diversidade de ambientes é o que sustenta a diversidade de espécies encontrada na região. Cada um desses ecossistemas cumpre uma função específica, seja como área de reprodução para espécies aquáticas, seja como corredor de deslocamento para a fauna terrestre entre diferentes pontos da paisagem urbana e rural do entorno.
Fauna que vive na região
A APA abriga populações de capivaras e lontras, além de aves características do ecossistema costeiro que utilizam os banhados e arroios da região como área de alimentação e reprodução. A presença dessas espécies é um indicador direto da qualidade ambiental preservada dentro da unidade, já que tanto capivaras quanto lontras dependem de corpos d’água limpos e de vegetação ripária bem conservada para se manterem na área.
Isso funciona bem como argumento prático para a importância da APA: não se trata apenas de proteger paisagem, mas de manter as condições necessárias para que espécies sensíveis a alterações ambientais continuem presentes tão perto de uma área urbana consolidada.
Como surgiu a APA
A criação da APA da Lagoa Verde não foi um processo rápido. As primeiras discussões remontam à década de 1990, quando o Núcleo de Educação Ambiental (NEMA), organização sediada em Rio Grande, iniciou projetos de mapeamento de áreas de relevância ambiental no município, com apoio da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza. Esse trabalho resultou, ainda nos anos 1990, na primeira proposta formal de criação de uma área de proteção envolvendo o sistema Arroio Bolaxa e Lagoa Verde.
O processo avançou ao longo da década seguinte, passando pelo Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (COMDEMA), até que, em 2005, a Lei Municipal nº 6.084 oficializou a criação da unidade. Em 2011, foi criado o Parque Urbano do Bolaxa, área pública de cerca de cinco hectares integrada à APA e aberta à visitação. O Conselho Gestor da unidade, reunindo órgãos públicos e sociedade civil, foi formado em 2016, e em 2018 a APA passou a integrar oficialmente o Sistema Estadual de Unidades de Conservação do Rio Grande do Sul.
Onde e como visitar
O acesso à APA da Lagoa Verde é gratuito e pode ser feito por dois pontos principais: o Parque Urbano do Bolaxa e a chamada Via Sete, localizada ao lado da estação de tratamento de água da Corsan, no sentido que liga o Cassino ao centro de Rio Grande, com acesso pela rodovia estadual ERS-734.
Vale reforçar que a APA é uma unidade de uso sustentável com foco em visitação orientada, e não um parque estruturado nos moldes de atrações turísticas convencionais. Quem procura trilhas sinalizadas, centro de visitantes ou infraestrutura ampla de apoio pode se surpreender com a simplicidade do acesso, mas é justamente essa preservação de baixo impacto que sustenta a qualidade ambiental da área.
Importância além da conservação da natureza
A APA da Lagoa Verde está inserida em uma região de áreas úmidas reconhecidas internacionalmente pela Convenção de Ramsar, tratado internacional voltado à proteção de zonas úmidas de importância ecológica. A unidade também integra o Plano de Ação Nacional para Conservação dos Sistemas Lacustres e Lagunares do Sul do Brasil (PAN Lagoas do Sul), coordenado pelo ICMBio, que reúne esforços de proteção voltados a cerca de 300 lagoas e ambientes úmidos distribuídos pelos estados do Sul do país.
Na prática, isso significa que a Lagoa Verde não protege apenas espécies e paisagens locais, mas também contribui para um esforço de conservação em escala regional. Some-se a isso um papel prático relevante para a própria cidade: durante eventos climáticos extremos, a área tem demonstrado capacidade de absorver grandes volumes de água, ajudando a reduzir impactos de enchentes em outras regiões do município. Há inclusive tratativas em andamento entre a Prefeitura e o Governo do Estado para ampliar os limites da APA, incorporando áreas atualmente sob domínio estadual.
A APA da Lagoa Verde não vai competir com os Molhes da Barra ou com a Estátua de Iemanjá como atração principal de quem visita a Praia do Cassino, mas cumpre um papel que nenhum outro ponto turístico da região cumpre: sustenta, de forma silenciosa, o equilíbrio ambiental que torna o litoral sul gaúcho o que ele é. Para quem se interessa por natureza além da praia, vale reservar algumas horas para conhecer esse mosaico de banhados, arroios e dunas que segue funcionando bem perto de onde o carro é estacionado na areia e o chimarrão passa de mão em mão.
Perguntas frequentes
O que é a APA da Lagoa Verde?
É uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável, criada em 2005 pelo município de Rio Grande, que protege a Lagoa Verde, os arroios Bolaxa e Senandes e o Canal São Simão, totalizando cerca de 510 hectares de ecossistemas costeiros preservados.
A APA da Lagoa Verde fica perto da Praia do Cassino?
Sim, a área fica no trajeto entre o centro de Rio Grande e o Cassino, com acesso próximo à rodovia que liga as duas regiões, o que a torna uma opção viável para quem já está na área e busca um passeio de natureza fora da praia.
É preciso pagar para visitar a APA da Lagoa Verde?
Não, o acesso é gratuito tanto pelo Parque Urbano do Bolaxa quanto pela Via Sete, próxima à estação de tratamento de água da Corsan.
Que animais podem ser vistos na APA da Lagoa Verde?
Entre as espécies presentes na região estão capivaras, lontras e diversas aves associadas ao ecossistema costeiro, que utilizam os banhados e arroios da área como espaço de alimentação e reprodução.
Qual a diferença entre a APA da Lagoa Verde e um parque comum?
A APA é uma unidade de conservação de uso sustentável, o que significa que combina proteção ambiental com atividades humanas compatíveis, como agricultura familiar e pesca artesanal, diferente de um parque urbano convencional voltado prioritariamente ao lazer.
