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  • Passarela do Cassino: história e importância para o balneário

    Passarela do Cassino: história e importância para o balneário

    A Passarela Ecológica do Cassino é uma estrutura elevada de madeira que liga a área urbanizada do balneário à faixa de areia, construída sobre as dunas costeiras para permitir a passagem de pedestres sem pisotear a vegetação fixadora. Ela existe porque as dunas do Cassino cumprem uma função de proteção natural contra o avanço do mar e a erosão, e o trânsito direto de pessoas sobre a areia destrói essa barreira aos poucos. A passarela resolve esse conflito entre acesso e preservação sem fechar a praia a ninguém.

    O problema que a passarela resolve

    Quem chega pela primeira vez ao Cassino costuma reparar em duas coisas ao mesmo tempo: a extensão da praia e o cordão de dunas que separa a avenida principal da areia. Esse cordão não é decorativo. As dunas frontais seguram o vento, reduzem a velocidade da água em ressacas e sustentam uma vegetação rasteira, principalmente margaridas-da-praia e gramíneas de restinga, que só sobrevive porque ninguém passa por cima dela o tempo todo.

    O problema é que o acesso mais curto do centro do balneário até o mar atravessa justamente essas dunas. Sem uma estrutura elevada, o caminho mais óbvio para qualquer banhista seria abrir uma trilha na areia, e é exatamente isso que degrada a duna: cada pisada compacta o solo, arranca raízes e cria corredores de vento que aceleram a erosão. A passarela existe para quebrar esse ciclo, oferecendo um trajeto fixo que não toca diretamente a vegetação.

    Como a estrutura foi pensada

    A Passarela Ecológica do Cassino é construída em madeira de eucalipto proveniente de florestas plantadas, e não de espécies nativas extraídas de mata natural. A escolha não é aleatória: o eucalipto de reflorestamento é abundante no Rio Grande do Sul, tem custo mais baixo que madeiras nativas e evita pressão sobre ecossistemas já protegidos.

    O modelo construtivo é o de palafita ou trapiche, ou seja, a passarela fica suspensa sobre estacas, sem apoiar diretamente sobre a duna. Essa suspensão tem duas funções práticas. Primeiro, permite que a areia continue se movendo por baixo da estrutura, seguindo o comportamento natural do vento, sem que a passarela vire uma barreira física que altera o relevo. Segundo, deixa espaço para que a vegetação fixadora continue crescendo embaixo e ao redor dos pilares, em vez de morrer soterrada por uma base sólida.

    Na prática, isso significa que a passarela funciona como um caminho suspenso no ar, não como uma calçada apoiada no chão. É esse detalhe técnico, mais do que o material usado, que faz dela uma estrutura ecológica de fato, e não apenas uma obra com esse nome no projeto.

    Por que não se usa concreto ou asfalto

    Uma pergunta comum de quem não é da área é por que o poder público não simplesmente pavimenta o acesso à praia com um material mais durável, como concreto. A resposta está na própria função da duna. Uma base impermeável interrompe o fluxo natural de areia, retém água de chuva de forma diferente da areia solta e cria um obstáculo rígido que o vento passa a contornar, concentrando a erosão nas bordas da estrutura em vez de distribuí-la. Uma passarela suspensa em madeira, por ser permeável e elevada, não gera esse efeito colateral.

    Contexto histórico do Balneário Cassino

    Para entender por que essa passarela importa tanto para o Cassino especificamente, ajuda saber o que é o balneário. O Balneário Cassino foi inaugurado oficialmente em 26 de janeiro de 1890, sob o nome de Vila Sequeira, por iniciativa de Cândido Sequeira em parceria com a Companhia de Bondes Suburbanos da Mangueira, que já explorava uma linha férrea entre Rio Grande e Bagé. É considerado o balneário marítimo mais antigo do Brasil, criado décadas antes de a maioria das praias urbanas do litoral brasileiro receber qualquer infraestrutura turística.

    O nome Cassino vem do cassino de jogos que funcionou no local e que deu fama ao balneário antes de ser proibido pela legislação federal em 1946. Com o fim do jogo, a vocação turística do lugar não desapareceu, ela se transformou. O Cassino seguiu recebendo veranistas, e hoje o distrito, pertencente ao município de Rio Grande, recebe algo em torno de 150 mil turistas por temporada, segundo dados divulgados pela prefeitura.

    A Praia do Cassino é reconhecida pelo Guinness Book desde 1994 como a praia contínua mais extensa do planeta, embora a medição exata varie bastante entre fontes, de pouco mais de 200 km a 254 km, dependendo do critério usado para traçar a linha de costa. Essa disputa de números não é um detalhe menor: quanto mais recortada a costa é medida, maior ela tende a ficar, um efeito conhecido como paradoxo da linha de costa. O que não muda entre as fontes é a característica que dá à praia seu uso mais peculiar, a possibilidade de dirigir sobre a areia compactada por quilômetros seguidos.

    Qual é o papel da passarela dentro desse cenário

    A passarela ecológica entra nesse contexto como resposta a um problema criado pelo próprio sucesso turístico do balneário. Um lugar procurado por dezenas de milhares de pessoas por temporada não pode depender de trilhas improvisadas sobre dunas frágeis sem comprometer, em poucos anos, a proteção natural que essas dunas oferecem à orla urbanizada.

    Existem hoje diferentes trechos de passarela no Cassino, não uma única estrutura isolada. Um deles fica nas proximidades da Rua Bahia, outro entre as Ruas Montevidéu e Rio de Janeiro, e a Prefeitura do Rio Grande mantém, por meio da Secretaria de Município do Cassino, ações de manutenção e revitalização desses acessos conforme surgem problemas estruturais. Em 2026, por exemplo, a secretaria interditou preventivamente cerca de 60 metros da passarela próxima à Rua Bahia após identificar desgaste estrutural considerado grave, orientando os pedestres a usar o acesso alternativo entre Montevidéu e Rio de Janeiro enquanto durassem as obras.

    Esse tipo de intervenção é rotina em qualquer estrutura de madeira exposta a vento salino, sol forte e alta umidade quase o ano inteiro. O detalhe que costuma passar despercebido é que a durabilidade da passarela depende diretamente da frequência da manutenção, não apenas da qualidade inicial da madeira. Uma estrutura bem construída, mas sem inspeção técnica periódica, se deteriora tão rápido quanto uma malfeita.

    Diferença entre a passarela ecológica e outros projetos de acesso à praia

    É comum confundir a passarela ecológica das dunas com projetos maiores de urbanização da orla, como o Ecoparque Turístico Molhes da Barra, uma proposta de requalificação que inclui deques, trilhas educativas e áreas de contemplação em torno dos Molhes da Barra, mais ao norte do balneário. São iniciativas relacionadas, ambas voltadas a equilibrar acesso público e preservação ambiental, mas com escopos diferentes. A passarela ecológica é um acesso pontual entre o centro do balneário e a praia; o Ecoparque é um projeto urbanístico mais amplo, com foco em outra área da orla, junto ao canal de acesso ao porto.

    Também existe, segundo registros da imprensa local, um projeto de criação de nova passarela ao longo da Avenida Beira-Mar, ampliando a rede de acessos existente. Isso indica que a estrutura não é estática: novos trechos são planejados conforme o fluxo de visitantes e o desgaste dos acessos antigos exigem.

    Vantagens e limites da solução

    A passarela ecológica funciona bem para o problema que foi desenhada para resolver, mas não é uma solução perfeita nem definitiva.

    Entre as vantagens, está o fato de permitir acesso direto e seguro à praia sem exigir grandes obras de engenharia, com um material renovável e um custo de manutenção relativamente previsível. A estrutura também cumpre uma função pedagógica silenciosa: ao caminhar sobre ela, o visitante enxerga a duna de cima, percebe a vegetação fixadora e associa aquele espaço a algo que precisa ser respeitado, não apenas atravessado.

    O limite mais evidente é a durabilidade da madeira em ambiente costeiro. Sol, sal e umidade desgastam qualquer estrutura de madeira mais rápido do que em áreas continentais, o que exige orçamento contínuo de manutenção por parte da prefeitura. Outro limite é a capacidade de fluxo: em dias de pico de verão, uma passarela estreita pode gerar aglomeração, o que reduz a experiência tanto para quem caminha quanto para a própria conservação do trecho, já que o peso concentrado acelera o desgaste.

    Isso funciona bem para o dia a dia do balneário e para temporadas de fluxo moderado, mas não resolve sozinho a pressão de picos extremos de visitação, como réveillon ou feriados prolongados, quando o volume de pessoas supera a capacidade prática de qualquer passarela única.

    A Passarela Ecológica do Cassino é, ao mesmo tempo, uma solução técnica simples e um retrato de como o balneário mais antigo do Brasil tenta conciliar dois interesses que raramente convivem em paz: o fluxo constante de visitantes e a fragilidade de um sistema de dunas que protege a própria orla urbanizada. Não é uma obra grandiosa, nem pretende ser. É uma estrutura de madeira suspensa que faz o trabalho certo no lugar certo, e que só chama atenção quando falta manutenção ou quando um trecho precisa ser interditado.

    Para quem visita o Cassino, o cuidado prático é simples: usar a passarela em vez de abrir caminho pela areia da duna, respeitar interdições temporárias e entender que aquele trajeto de madeira é parte da infraestrutura que mantém a praia como ela é, não um obstáculo entre o visitante e o mar.


    Perguntas frequentes

    O que é a Passarela Ecológica do Cassino?

    É uma estrutura elevada de madeira, no modelo de palafita, construída sobre as dunas do Balneário Cassino, em Rio Grande (RS), para dar acesso à praia sem que os pedestres pisem diretamente na areia e na vegetação das dunas.

    Onde fica a Passarela Ecológica do Cassino?

    Existem trechos em pontos diferentes do balneário, incluindo acessos próximos à Rua Bahia e entre as Ruas Montevidéu e Rio de Janeiro. A localização exata pode variar conforme obras de manutenção ou construção de novos trechos, então vale confirmar o acesso disponível ao chegar.

    De que material a passarela é feita?

    Madeira de eucalipto proveniente de florestas plantadas, escolhida por ser um material renovável, mais barato que madeiras nativas e de menor impacto ambiental do que estruturas rígidas como concreto.

    Por que a passarela é considerada ecológica?

    Porque preserva as dunas em vez de destruí-las: por ficar suspensa sobre estacas, permite que a areia continue se movendo naturalmente por baixo dela e que a vegetação fixadora continue crescendo ao redor, funções que uma calçada de concreto interromperia.

    A passarela está sempre aberta ao público?

    Não necessariamente. Trechos podem ser interditados temporariamente para manutenção quando uma vistoria técnica identifica desgaste estrutural, como ocorreu em 2026 em um segmento próximo à Rua Bahia. Nesses casos, a prefeitura costuma indicar um acesso alternativo enquanto durarem as obras.

    Por que as dunas do Cassino precisam ser protegidas?

    Porque funcionam como barreira natural contra erosão e avanço do mar, além de sustentar uma vegetação de restinga que estabiliza a areia. Pisoteio constante compacta o solo, destrói raízes e acelera a erosão, o que reduz a proteção natural que a orla urbanizada do balneário recebe.

    É permitido caminhar fora da passarela, direto sobre a duna?

    Não é uma prática recomendada nem incentivada pela gestão do balneário. Caminhar fora da estrutura acelera a degradação da vegetação fixadora e compromete a função da duna, mesmo que pareça um atalho inofensivo em um único trajeto isolado.

  • Os melhores lugares para fotografar o pôr do sol no Cassino

    Os melhores lugares para fotografar o pôr do sol no Cassino

    Os melhores pontos para fotografar o pôr do sol na Praia do Cassino são as dunas ao longo da passarela ecológica, a área da Estátua de Iemanjá e os Molhes da Barra, onde a paisagem aberta e o reflexo da areia molhada compõem cenas com cores intensas mesmo o sol se pondo atrás da linha de dunas, não sobre o oceano. Como a praia é voltada para o Atlântico, o efeito mais espetacular não é o disco solar mergulhando no mar, mas o céu incendiado refletido na faixa de areia encharcada, um tipo de composição que rende fotos únicas.

    Quem pesquisa esse tema geralmente já viu fotos do entardecer no Cassino nas redes sociais e quer saber onde ir e como se preparar para capturar cenas parecidas. Este guia reúne os pontos mais indicados e dicas práticas de horário e composição.

    Por que o pôr do sol no Cassino é diferente de outras praias

    Antes de sair em busca do ponto ideal, vale entender uma particularidade geográfica que muda a composição da foto. Diferente de praias voltadas para oeste, onde o sol mergulha visivelmente no mar, a Praia do Cassino olha para o Atlântico, o que significa que, no fim da tarde, o sol se põe atrás do continente, na direção das dunas e da cidade, não sobre a linha do horizonte marítimo.

    Isso não torna o pôr do sol menos bonito, apenas diferente. O céu ganha tons alaranjados e avermelhados que se refletem na água parada sobre a areia molhada e na própria superfície do mar, criando um efeito de simetria entre céu e chão que costuma surpreender quem fotografa a cena pela primeira vez, sem esperar encontrar aquele tipo de composição em uma praia voltada para o oceano aberto.

    Dunas e passarela ecológica

    A área de dunas ao longo da passarela ecológica do Cassino é um dos pontos mais indicados para fotografar o entardecer. A paisagem de dunas, com formação que lembra cenários desérticos, ganha contraste dramático quando iluminada pela luz baixa e dourada do fim de tarde, criando sombras alongadas e realçando as texturas e curvas formadas pelo vento na areia.

    A estrutura elevada da passarela também funciona como um ponto de vantagem natural, permitindo enquadrar tanto a duna em primeiro plano quanto o céu aberto ao fundo, sem a necessidade de pisar diretamente sobre a vegetação protegida da área.

    Estátua de Iemanjá

    Localizada na entrada da praia, a estátua de Iemanjá é um dos símbolos mais fotografados do balneário, reverenciada por pescadores e turistas como parte da identidade cultural e religiosa da comunidade local. No horário do entardecer, a silhueta da estátua contra o céu colorido cria uma composição forte, combinando elemento humano e paisagem natural em um único quadro.

    Esse ponto costuma reunir mais gente na hora do pôr do sol, especialmente em dias de verão, o que pode ser tanto uma vantagem, para quem quer incluir movimento e vida na foto, quanto uma limitação, para quem busca uma composição mais isolada e silenciosa.

    Molhes da Barra

    Para quem busca uma composição diferente, com elementos de engenharia somados à paisagem natural, os Molhes da Barra oferecem um cenário único ao entardecer. As pedras do quebra-mar, avançando mar adentro, criam linhas fortes na composição, enquanto o movimento constante da água ao redor da estrutura gera reflexos e texturas que mudam a cada minuto conforme a luz do fim de tarde se transforma.

    Vale considerar o horário de funcionamento do passeio de vagoneta, que costuma operar até as 18h, ao planejar uma sessão de fotos nesse ponto específico, já que o acesso ao trecho mais distante do molhe pode ficar mais difícil fora desse período sem o transporte.

    Dicas práticas de horário e equipamento

    Isso funciona bem em qualquer cenário de fotografia de paisagem, e vale especialmente para o Cassino: o período conhecido como golden hour, a hora imediatamente anterior ao pôr do sol, oferece luz mais suave e tons quentes, ideal para retratos e paisagens com menos contraste duro do que o sol a pino.

    Para fotos com celular, reduzir a exposição tocando na tela sobre o ponto mais iluminado da imagem, geralmente o próprio sol ou o reflexo mais intenso no céu, ajuda a evitar áreas estouradas e preserva mais detalhe nas cores do entardecer. Para quem usa câmeras com controle manual, modos de alta faixa dinâmica (HDR) ajudam a equilibrar o contraste entre o céu mais claro e a areia mais escura, um desafio comum em fotografia de paisagens litorâneas.

    Chegar entre 30 e 40 minutos antes do horário previsto para o pôr do sol garante tempo suficiente para escolher o ângulo, testar composições diferentes e aproveitar tanto a luz dourada quanto os minutos finais de cor no céu depois que o sol já desapareceu atrás da linha de dunas.

    Fotografar o pôr do sol na Praia do Cassino exige ajustar a expectativa de quem está acostumado com praias voltadas para o oeste: o espetáculo não está no sol descendo sobre o mar, mas na forma como o céu se transforma e se reflete sobre a paisagem única de dunas, areia molhada e estruturas como os Molhes da Barra. Quem entende essa particularidade e escolhe o ponto certo para o tipo de foto que busca sai da praia com registros bem diferentes do que encontraria em qualquer outro litoral brasileiro.

    Perguntas frequentes

    O sol se põe sobre o mar na Praia do Cassino?

    Não. Como a praia é voltada para o Oceano Atlântico, o sol se põe atrás da linha de dunas e da cidade, não sobre a água. O efeito visual mais marcante acontece no céu e nos reflexos sobre a areia molhada, não no disco solar mergulhando no horizonte marítimo.

    Qual é o melhor horário para fotografar o pôr do sol no Cassino?

    O ideal é chegar entre 30 e 40 minutos antes do horário previsto do pôr do sol, aproveitando a golden hour, o período de luz mais suave e tons quentes que antecede o desaparecimento do sol.

    As dunas são um bom lugar para fotografar o entardecer?

    Sim, são um dos pontos mais indicados, já que a luz baixa do fim de tarde realça as texturas e sombras formadas pelo vento na areia, criando composições dramáticas com contraste entre luz e sombra.

    É possível fotografar o pôr do sol nos Molhes da Barra?

    Sim, mas vale considerar o horário de funcionamento do passeio de vagoneta, que costuma operar até as 18h, para planejar o acesso ao trecho mais distante da estrutura antes do fim do expediente.

    Preciso de equipamento profissional para fotografar bem o pôr do sol no Cassino?

    Não necessariamente. Fotos feitas com celular funcionam bem seguindo cuidados simples, como ajustar a exposição para o ponto mais iluminado da cena. Câmeras com modos de alta faixa dinâmica (HDR) ajudam a equilibrar melhor o contraste entre céu e areia, mas não são indispensáveis para um bom resultado.

  • Tuco-tuco: o pequeno roedor que vive nas dunas do Cassino

    Tuco-tuco: o pequeno roedor que vive nas dunas do Cassino

    O tuco-tuco-das-dunas (Ctenomys flamarioni) é um pequeno roedor subterrâneo que vive exclusivamente nas dunas costeiras do Rio Grande do Sul, incluindo a faixa de areia da Praia do Cassino, e está classificado como espécie ameaçada de extinção pela IUCN. O animal escava galerias sob a areia, raramente aparece na superfície e enfrenta risco crescente por causa da urbanização e da destruição do primeiro cordão de dunas ao longo do litoral gaúcho.

    Quem pesquisa esse tema geralmente encontrou o nome “tuco-tuco” associado à Praia do Cassino e quer entender que animal é esse, por que vive só ali e por que aparece como espécie ameaçada em reportagens sobre a região. Este texto reúne o que a ciência confirma sobre a espécie.

    O que é o tuco-tuco-das-dunas

    O tuco-tuco-das-dunas, cujo nome científico é Ctenomys flamarioni, é um roedor da família Ctenomyidae, grupo que reúne 65 espécies exclusivas da América do Sul, sendo oito delas encontradas no Brasil. O nome popular “tuco-tuco” vem do termo indígena tuku’tuku, uma referência ao som que o macho da espécie emite quando se sente ameaçado.

    Diferente da maioria dos parentes do gênero Ctenomys, que também ocupam campos e pastagens do Pampa gaúcho, o tuco-tuco-das-dunas é endêmico das dunas costeiras, ou seja, só existe naquele tipo específico de ambiente. Fisicamente, a espécie tem coloração mais clara e corpo mais robusto do que outros tuco-tucos do sul do Brasil, características associadas diretamente ao ambiente que ocupa, já que as dunas costeiras têm solo mais solto e arejado do que os campos onde vivem espécies parentas.

    Onde exatamente ele vive

    A distribuição geográfica do tuco-tuco-das-dunas é restrita a uma faixa relativamente estreita do litoral do Rio Grande do Sul, estendendo-se desde a Barra do Chuí, na fronteira com o Uruguai, até a praia de Arroio Teixeira, no litoral norte do estado. Essa distribuição inclui, portanto, toda a extensão da Praia do Cassino, que faz parte do trecho sul dessa área de ocorrência.

    O animal vive em galerias subterrâneas que ele mesmo escava sob a superfície da areia das dunas, um comportamento que explica por que é tão raramente visto por quem caminha pela praia. A maior parte da vida do tuco-tuco acontece embaixo da areia, longe da vista de banhistas e turistas, o que torna qualquer avistamento na superfície um evento relativamente incomum, mesmo em uma área onde a espécie é abundante.

    Como é o comportamento do tuco-tuco

    Registros fotográficos feitos na Praia do Cassino por pesquisadores e fotógrafos de natureza documentaram o animal se alimentando na superfície, segurando comida com as patas dianteiras, um comportamento que ajuda a entender a dieta da espécie. O capim-das-dunas, vegetação típica desse ecossistema, compõe cerca de 66% da alimentação do tuco-tuco-das-dunas, o que reforça a relação direta entre a sobrevivência do roedor e a conservação da vegetação de restinga que cobre as dunas.

    O detalhe que costuma passar despercebido é que essa dependência alimentar cria uma competição direta com outra presença comum nas áreas de dunas do litoral gaúcho: o gado. Bovinos que pastam nessas áreas também têm preferência pelo capim-das-dunas, o que reduz a disponibilidade de alimento para o roedor em regiões onde a criação de gado ocupa espaço próximo às dunas.

    Por que a espécie está ameaçada de extinção

    O tuco-tuco-das-dunas é classificado como “Em Perigo” (EN) pela IUCN Red List of Threatened Species e como “Vulnerável” pelo ICMBio, categorias que refletem a fragilidade de uma espécie com distribuição geográfica tão restrita a um único tipo de ambiente. Como só existe nas dunas costeiras, qualquer alteração significativa nesse habitat afeta diretamente a sobrevivência da população.

    A principal ameaça identificada por pesquisadores é a remoção da primeira linha de dunas para viabilizar urbanização e especulação imobiliária no litoral, prática que descaracteriza completamente o ambiente necessário para a espécie. Some-se a isso o pisoteio constante por pessoas e veículos, o descarte de lixo nas áreas de dunas, a presença de animais domésticos, e até o plantio de espécies exóticas, como o pinus, usado em silvicultura, que também altera a estrutura natural do solo arenoso.

    O que está sendo feito para proteger a espécie

    Existem iniciativas específicas de pesquisa e conservação voltadas ao tuco-tuco-das-dunas na região de Rio Grande. Um desses esforços é o projeto de Conservação do Tuco-tuco das Dunas, que, junto com outra iniciativa chamada Mar de Areia, busca criar um conjunto de medidas de gestão ambiental para as dunas litorâneas da região, incluindo a proposta de estabelecer unidades de conservação específicas para proteger o habitat da espécie e de outras que dependem do mesmo ecossistema.

    Também vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o Projeto Tuco-tuco mantém pesquisa contínua sobre a espécie, documentando os fatores que reduzem suas populações ao longo do litoral gaúcho e produzindo material de divulgação científica para sensibilizar moradores e visitantes sobre a importância da conservação das dunas.

    O que fazer se avistar um tuco-tuco

    Isso funciona bem em qualquer situação de contato com fauna silvestre ameaçada: se encontrar um tuco-tuco fora de sua galeria, especialmente ferido, doente ou em situação atípica, a orientação de especialistas é contatar o órgão ambiental responsável, como o Ibama ou a Secretaria de Meio Ambiente local, em vez de tentar qualquer manejo por conta própria. Como se trata de espécie protegida por listas de ameaça em níveis global, nacional e estadual, qualquer ação que prejudique a sobrevivência do animal é considerada crime ambiental.

    Para quem simplesmente caminha pelas dunas do Cassino, o cuidado mais relevante é evitar pisotear áreas de vegetação de duna fora das passarelas e trilhas estabelecidas, já que é justamente esse tipo de impacto cumulativo, somado à destruição de dunas para construção, que mais ameaça a permanência da espécie na região.

    O tuco-tuco-das-dunas é um lembrete de que a Praia do Cassino não é só paisagem e passeio: é também um ecossistema que sustenta uma espécie que não existe em nenhum outro lugar do planeta fora das dunas costeiras do Rio Grande do Sul. A permanência desse pequeno roedor depende diretamente da conservação das dunas, o que reforça, na prática, por que atitudes simples, como respeitar as passarelas de acesso à praia e evitar pisotear áreas de vegetação, têm um peso real na sobrevivência de uma espécie ameaçada de extinção.

    Perguntas frequentes

    O tuco-tuco-das-dunas é encontrado em todo o Brasil?

    Não. É uma espécie endêmica das dunas costeiras do Rio Grande do Sul, com distribuição geográfica que vai da Barra do Chuí até a praia de Arroio Teixeira, no litoral norte do estado, o que inclui toda a extensão da Praia do Cassino.

    Por que o tuco-tuco-das-dunas está ameaçado de extinção?

    A principal ameaça é a destruição da primeira linha de dunas para urbanização e especulação imobiliária, além de pisoteio, descarte de lixo, presença de animais domésticos e alterações no ambiente causadas por silvicultura e monoculturas na região.

    É comum ver um tuco-tuco caminhando pela Praia do Cassino?

    Não muito. O animal vive majoritariamente em galerias subterrâneas que ele mesmo escava sob a areia, então avistá-lo na superfície é um evento relativamente raro, mesmo em áreas onde a espécie está presente.

    O que fazer se encontrar um tuco-tuco ferido ou fora do habitat?

    A recomendação é contatar o órgão ambiental responsável, como o Ibama ou a Secretaria de Meio Ambiente local, em vez de tentar manejar o animal por conta própria. Como espécie ameaçada, qualquer ação que prejudique sua sobrevivência é considerada crime ambiental.

    O que as pessoas podem fazer para ajudar a proteger o tuco-tuco?

    Evitar pisotear áreas de vegetação de dunas fora das passarelas e trilhas estabelecidas, não descartar lixo nessas áreas e apoiar iniciativas locais de conservação são atitudes práticas que contribuem para a preservação do habitat da espécie.

  • Dunas e restinga: os ecossistemas que protegem a Praia do Cassino

    As dunas e a vegetação de restinga funcionam como barreira natural da Praia do Cassino, retendo areia, amortecendo a força do vento e das ressacas e evitando que o mar avance sobre a área urbanizada do balneário. A vegetação de restinga, adaptada a solo arenoso e salino, é a responsável por fixar as dunas: sem ela, o vento redistribuiria a areia livremente, e o cordão dunar perderia a função de proteção que hoje exerce.

    Quem pesquisa esse tema geralmente quer entender por que dunas cobertas de vegetação parecem tão frágeis e, ao mesmo tempo, são tratadas como área de preservação permanente por lei. Este texto explica como esse sistema funciona no Cassino, por que ele é vulnerável ao tráfego de veículos e pedestres, e o que a legislação prevê para protegê-lo.

    Como as dunas se formam na Praia do Cassino

    As dunas costeiras nascem de um processo relativamente simples na teoria, mas sensível na prática: o vento transporta grãos de areia secos da faixa de pós-praia até encontrar um obstáculo, geralmente vegetação pioneira, que retém os grãos e permite o acúmulo progressivo de areia. Esse processo, repetido ao longo de anos, forma primeiro pequenas dunas incipientes, também chamadas de embrionárias, e depois dunas frontais mais consolidadas.

    No Cassino, como em toda a costa do Rio Grande do Sul, esse processo é intensificado pela combinação de ventos fortes e constantes com grande disponibilidade de areia solta na praia, o que favorece a formação contínua de cordões dunares ao longo de praticamente toda a extensão da faixa de areia.

    O papel da vegetação de restinga

    A vegetação de restinga é o elemento que transforma um simples monte de areia solta em uma duna estável. Trata-se de uma comunidade vegetal adaptada a condições extremas: solo arenoso, pobre em nutrientes, com alta salinidade e exposição constante ao vento e à respingada do mar.

    Essa vegetação costuma se organizar em camadas conforme a distância do mar. Mais próximo da água, predominam plantas rasteiras, geralmente gramíneas com estolões ou rizomas, capazes de reter a areia mesmo em condições de deposição constante. Conforme a distância do mar aumenta, a vegetação ganha porte, com arbustos e, em alguns pontos, formações mais densas.

    Na prática, isso significa que a restinga não é decoração da paisagem: é o mecanismo funcional que sustenta a existência da própria duna. Retirar essa vegetação, por pisoteio constante, tráfego de veículos ou remoção direta, compromete a capacidade da duna de reter areia e se manter estável ao longo do tempo.

    Por que as dunas protegem o balneário

    O sistema de dunas frontais funciona como uma espécie de amortecedor entre o oceano e a área urbanizada do Cassino. Em eventos de ressaca ou maré meteorológica, quando o nível do mar sobe de forma anormal, é a duna frontal que absorve o impacto das ondas, evitando ou reduzindo a invasão de água salgada sobre ruas, terrenos e construções mais próximas da orla.

    Esse mecanismo de defesa funciona em ciclo: a duna pode sofrer erosão significativa durante um evento de tempestade, perdendo volume de areia na face voltada para o mar, e depois se recompor ao longo do tempo, desde que a vegetação e o suprimento de sedimentos da praia permaneçam intactos. Quando esse ciclo é interrompido, seja por erosão contínua, seja por intervenção humana, a capacidade de proteção do sistema se reduz de forma duradoura.

    A passarela ecológica: uma solução de baixo impacto

    Um exemplo prático de como conciliar acesso à praia com proteção das dunas está na passarela ecológica construída sobre o cordão de dunas do Cassino. A estrutura foi erguida em madeira de reflorestamento, no formato de palafita ou trapiche elevado, permitindo que pedestres cheguem à praia sem pisar diretamente sobre a areia e a vegetação fixadora.

    Esse tipo de solução resolve um conflito comum em praias urbanizadas: o acesso constante de pessoas cria trilhas de pisoteio que danificam a vegetação e aceleram processos erosivos justamente nos pontos de passagem. Ao elevar o caminhante acima do nível da duna, a passarela permite observação da paisagem, da fauna e da flora sem interromper o ciclo natural de acúmulo e fixação de areia.

    Ameaças ao ecossistema dunar

    O detalhe que costuma passar despercebido por quem visita o Cassino é que boa parte do que ameaça as dunas não vem de grandes obras, mas de hábitos cotidianos repetidos por milhares de visitantes. O tráfego de veículos e pedestres fora dos acessos estruturados é uma das pressões mais constantes, já que compacta o solo, danifica a vegetação rasteira e cria sulcos que alteram a dinâmica natural de acúmulo de areia.

    O próprio hábito, tão característico do Cassino, de dirigir na faixa de areia amplia esse risco quando veículos saem da faixa de praia liberada para tráfego e avançam sobre as dunas ou seus acessos. Outros fatores de pressão incluem acúmulo de lixo, que pode alterar a composição do solo e prejudicar fauna e flora, e a remoção de vegetação para construções ou abertura de acessos informais.

    O que a lei diz sobre a proteção das dunas

    A legislação ambiental brasileira trata a vegetação fixadora de dunas como Área de Preservação Permanente (APP), categoria de proteção que restringe atividades capazes de comprometer esse tipo de vegetação. Isso significa que, tecnicamente, não é a duna em si que recebe proteção automática pela lei, mas a vegetação de restinga responsável por fixá-la, o que reforça o argumento de que preservar a cobertura vegetal é o ponto central de qualquer estratégia de conservação dunar.

    Resoluções complementares do Conselho Nacional do Meio Ambiente também tratam de atividades turísticas sobre dunas, exigindo que empreendimentos desse tipo sejam declarados de interesse social, previamente identificados pelo órgão ambiental competente e submetidos a estudo de impacto ambiental antes de qualquer intervenção.

    As dunas e a restinga da Praia do Cassino não são apenas parte do cenário que atrai fotógrafos e caminhantes: são um sistema de defesa natural que protege o balneário da força do mar, mantido em equilíbrio por uma vegetação frágil e adaptada a condições extremas. Entender esse funcionamento muda a forma de caminhar pela praia: escolher a passarela em vez de atalhos pela areia, respeitar os acessos estruturados e evitar pisar sobre a vegetação rasteira são gestos pequenos que, somados, decidem se esse sistema continua cumprindo sua função nas próximas décadas.

    Perguntas frequentes

    Por que as dunas da Praia do Cassino são protegidas por lei?

    Porque a vegetação que fixa as dunas é classificada como Área de Preservação Permanente pela legislação ambiental brasileira, uma proteção voltada especificamente à vegetação de restinga responsável por manter a duna estável.

    O que acontece se a vegetação das dunas for destruída?

    A duna perde a capacidade de reter areia e se torna vulnerável à ação do vento, podendo se desestabilizar e migrar ou desaparecer. Isso também reduz a proteção natural que a duna oferece contra ressacas e avanço do mar sobre áreas urbanizadas.

    Por que existe uma passarela sobre as dunas no Cassino?

    A passarela ecológica foi construída para permitir o acesso de pedestres à praia sem que eles precisem pisar diretamente sobre a areia e a vegetação fixadora, reduzindo o impacto do tráfego constante de pessoas sobre o ecossistema dunar.

    Dirigir na praia do Cassino prejudica as dunas?

    O tráfego de veículos dentro da faixa de areia liberada para esse fim tem menor impacto direto sobre as dunas, mas quando veículos saem dessa faixa e avançam sobre as dunas ou seus acessos, o dano à vegetação e à estrutura do solo é significativo.

    É possível recuperar uma duna degradada?

    Em muitos casos, sim, desde que haja restrição de tráfego de veículos e pedestres na área afetada, permitindo a recuperação natural da vegetação ao longo do tempo. Em situações mais graves, técnicas de manejo, como cercamento e plantio de vegetação nativa, podem acelerar esse processo.