Tuco-tuco: o pequeno roedor que vive nas dunas do Cassino

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O tuco-tuco-das-dunas (Ctenomys flamarioni) é um pequeno roedor subterrâneo que vive exclusivamente nas dunas costeiras do Rio Grande do Sul, incluindo a faixa de areia da Praia do Cassino, e está classificado como espécie ameaçada de extinção pela IUCN. O animal escava galerias sob a areia, raramente aparece na superfície e enfrenta risco crescente por causa da urbanização e da destruição do primeiro cordão de dunas ao longo do litoral gaúcho.

Quem pesquisa esse tema geralmente encontrou o nome “tuco-tuco” associado à Praia do Cassino e quer entender que animal é esse, por que vive só ali e por que aparece como espécie ameaçada em reportagens sobre a região. Este texto reúne o que a ciência confirma sobre a espécie.

O que é o tuco-tuco-das-dunas

O tuco-tuco-das-dunas, cujo nome científico é Ctenomys flamarioni, é um roedor da família Ctenomyidae, grupo que reúne 65 espécies exclusivas da América do Sul, sendo oito delas encontradas no Brasil. O nome popular “tuco-tuco” vem do termo indígena tuku’tuku, uma referência ao som que o macho da espécie emite quando se sente ameaçado.

Diferente da maioria dos parentes do gênero Ctenomys, que também ocupam campos e pastagens do Pampa gaúcho, o tuco-tuco-das-dunas é endêmico das dunas costeiras, ou seja, só existe naquele tipo específico de ambiente. Fisicamente, a espécie tem coloração mais clara e corpo mais robusto do que outros tuco-tucos do sul do Brasil, características associadas diretamente ao ambiente que ocupa, já que as dunas costeiras têm solo mais solto e arejado do que os campos onde vivem espécies parentas.

Onde exatamente ele vive

A distribuição geográfica do tuco-tuco-das-dunas é restrita a uma faixa relativamente estreita do litoral do Rio Grande do Sul, estendendo-se desde a Barra do Chuí, na fronteira com o Uruguai, até a praia de Arroio Teixeira, no litoral norte do estado. Essa distribuição inclui, portanto, toda a extensão da Praia do Cassino, que faz parte do trecho sul dessa área de ocorrência.

O animal vive em galerias subterrâneas que ele mesmo escava sob a superfície da areia das dunas, um comportamento que explica por que é tão raramente visto por quem caminha pela praia. A maior parte da vida do tuco-tuco acontece embaixo da areia, longe da vista de banhistas e turistas, o que torna qualquer avistamento na superfície um evento relativamente incomum, mesmo em uma área onde a espécie é abundante.

Como é o comportamento do tuco-tuco

Registros fotográficos feitos na Praia do Cassino por pesquisadores e fotógrafos de natureza documentaram o animal se alimentando na superfície, segurando comida com as patas dianteiras, um comportamento que ajuda a entender a dieta da espécie. O capim-das-dunas, vegetação típica desse ecossistema, compõe cerca de 66% da alimentação do tuco-tuco-das-dunas, o que reforça a relação direta entre a sobrevivência do roedor e a conservação da vegetação de restinga que cobre as dunas.

O detalhe que costuma passar despercebido é que essa dependência alimentar cria uma competição direta com outra presença comum nas áreas de dunas do litoral gaúcho: o gado. Bovinos que pastam nessas áreas também têm preferência pelo capim-das-dunas, o que reduz a disponibilidade de alimento para o roedor em regiões onde a criação de gado ocupa espaço próximo às dunas.

Por que a espécie está ameaçada de extinção

O tuco-tuco-das-dunas é classificado como “Em Perigo” (EN) pela IUCN Red List of Threatened Species e como “Vulnerável” pelo ICMBio, categorias que refletem a fragilidade de uma espécie com distribuição geográfica tão restrita a um único tipo de ambiente. Como só existe nas dunas costeiras, qualquer alteração significativa nesse habitat afeta diretamente a sobrevivência da população.

A principal ameaça identificada por pesquisadores é a remoção da primeira linha de dunas para viabilizar urbanização e especulação imobiliária no litoral, prática que descaracteriza completamente o ambiente necessário para a espécie. Some-se a isso o pisoteio constante por pessoas e veículos, o descarte de lixo nas áreas de dunas, a presença de animais domésticos, e até o plantio de espécies exóticas, como o pinus, usado em silvicultura, que também altera a estrutura natural do solo arenoso.

O que está sendo feito para proteger a espécie

Existem iniciativas específicas de pesquisa e conservação voltadas ao tuco-tuco-das-dunas na região de Rio Grande. Um desses esforços é o projeto de Conservação do Tuco-tuco das Dunas, que, junto com outra iniciativa chamada Mar de Areia, busca criar um conjunto de medidas de gestão ambiental para as dunas litorâneas da região, incluindo a proposta de estabelecer unidades de conservação específicas para proteger o habitat da espécie e de outras que dependem do mesmo ecossistema.

Também vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o Projeto Tuco-tuco mantém pesquisa contínua sobre a espécie, documentando os fatores que reduzem suas populações ao longo do litoral gaúcho e produzindo material de divulgação científica para sensibilizar moradores e visitantes sobre a importância da conservação das dunas.

O que fazer se avistar um tuco-tuco

Isso funciona bem em qualquer situação de contato com fauna silvestre ameaçada: se encontrar um tuco-tuco fora de sua galeria, especialmente ferido, doente ou em situação atípica, a orientação de especialistas é contatar o órgão ambiental responsável, como o Ibama ou a Secretaria de Meio Ambiente local, em vez de tentar qualquer manejo por conta própria. Como se trata de espécie protegida por listas de ameaça em níveis global, nacional e estadual, qualquer ação que prejudique a sobrevivência do animal é considerada crime ambiental.

Para quem simplesmente caminha pelas dunas do Cassino, o cuidado mais relevante é evitar pisotear áreas de vegetação de duna fora das passarelas e trilhas estabelecidas, já que é justamente esse tipo de impacto cumulativo, somado à destruição de dunas para construção, que mais ameaça a permanência da espécie na região.

O tuco-tuco-das-dunas é um lembrete de que a Praia do Cassino não é só paisagem e passeio: é também um ecossistema que sustenta uma espécie que não existe em nenhum outro lugar do planeta fora das dunas costeiras do Rio Grande do Sul. A permanência desse pequeno roedor depende diretamente da conservação das dunas, o que reforça, na prática, por que atitudes simples, como respeitar as passarelas de acesso à praia e evitar pisotear áreas de vegetação, têm um peso real na sobrevivência de uma espécie ameaçada de extinção.

Perguntas frequentes

O tuco-tuco-das-dunas é encontrado em todo o Brasil?

Não. É uma espécie endêmica das dunas costeiras do Rio Grande do Sul, com distribuição geográfica que vai da Barra do Chuí até a praia de Arroio Teixeira, no litoral norte do estado, o que inclui toda a extensão da Praia do Cassino.

Por que o tuco-tuco-das-dunas está ameaçado de extinção?

A principal ameaça é a destruição da primeira linha de dunas para urbanização e especulação imobiliária, além de pisoteio, descarte de lixo, presença de animais domésticos e alterações no ambiente causadas por silvicultura e monoculturas na região.

É comum ver um tuco-tuco caminhando pela Praia do Cassino?

Não muito. O animal vive majoritariamente em galerias subterrâneas que ele mesmo escava sob a areia, então avistá-lo na superfície é um evento relativamente raro, mesmo em áreas onde a espécie está presente.

O que fazer se encontrar um tuco-tuco ferido ou fora do habitat?

A recomendação é contatar o órgão ambiental responsável, como o Ibama ou a Secretaria de Meio Ambiente local, em vez de tentar manejar o animal por conta própria. Como espécie ameaçada, qualquer ação que prejudique sua sobrevivência é considerada crime ambiental.

O que as pessoas podem fazer para ajudar a proteger o tuco-tuco?

Evitar pisotear áreas de vegetação de dunas fora das passarelas e trilhas estabelecidas, não descartar lixo nessas áreas e apoiar iniciativas locais de conservação são atitudes práticas que contribuem para a preservação do habitat da espécie.

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