Farol Sarita: história e como visitar

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O Farol Sarita fica na Praia do Cassino, no litoral sul do Rio Grande do Sul, a cerca de 65 km ao sul do balneário, e leva o nome do navio a vapor Sarita, encalhado propositalmente ali em 1897. A torre atual, de alvenaria e 37 metros de altura, foi inaugurada em 1952 e substituiu duas estruturas anteriores erguidas desde 1909. Chegar até ele exige veículo com tração adequada ou uma caminhada longa pela areia, já que não há estrada pavimentada no trecho final.

Poucos faróis brasileiros têm uma origem tão peculiar. O nome não homenageia um santo, uma data cívica ou um engenheiro naval: vem de um navio que afundou ali de propósito, como parte de uma fraude de seguro. Esse episódio, somado ao isolamento da região e à quantidade de naufrágios registrados ao longo do século XX, transformou o Farol Sarita em um dos marcos mais procurados por quem faz a travessia a pé entre o Cassino e a Barra do Chuí.

A origem do nome: o naufrágio do navio Sarita

Em 1897, o comandante italiano Cosmo Marasciulo encalhou de forma intencional o navio a vapor Sarita na região que hoje leva esse nome, como parte de um esquema para acionar o seguro da embarcação. A estratégia deu certo: a tripulação seguiu a pé até Rio Grande e a companhia seguradora pagou a indenização.

O litoral entre Rio Grande e o Santa Vitória do Palmar sempre foi perigoso para navegação, por causa de bancos de areia móveis, correntes fortes e ausência quase total de sinalização até o início do século XX. Segundo a Capitania dos Portos do Rio Grande do Sul, ao menos 53 embarcações naufragaram nesse trecho entre 1776 e 2004, o que dá uma média superior a um naufrágio por ano ao longo de mais de dois séculos. O caso do Sarita não foi o mais grave em termos de vidas perdidas, mas acabou sendo o mais lembrado, justamente por ter batizado o farol construído no local décadas depois.

Da primeira torre à construção atual

A história do farol tem três fases bem definidas, e misturar as datas é um erro comum em relatos sobre o local.

Primeira torre (1909). O Farol Sarita foi inaugurado em 12 de outubro de 1909, do tipo Mitchell, com 26 metros de altura e equipamento óptico de 4ª ordem. Seu alcance luminoso era de 15 milhas náuticas, o equivalente a cerca de 24 quilômetros. No mesmo ano entraram em operação os faróis da Barra do Chuí e do Albardão, parte de uma mesma rede de sinalização construída para reduzir os naufrágios na costa sul gaúcha.

Segunda torre (1929). A estrutura original foi substituída por uma nova torre, já com sistema luminoso automático, reduzindo a dependência de operação manual constante.

Torre atual (1952). A construção que existe hoje é de alvenaria, com 37 metros de altura, cerca de 11 metros mais alta que a torre original de 1909. Atualmente opera com lanterna de acrílico e mantém um padrão de luz próprio, como todos os faróis da costa brasileira, para que cada estrutura seja identificável à distância pelos navegantes.

Isso funciona bem para quem estuda a história por trás da paisagem, mas vale uma ressalva: registros turísticos às vezes atribuem 1952 tanto à construção quanto à homenagem ao naufrágio de 1897, misturando os dois eventos em uma única frase. São fatos distintos, separados por mais de cinquenta anos.

Onde fica o Farol Sarita

O farol está localizado no quilômetro 65 aproximadamente, contando a partir dos Molhes da Barra, no início da Praia do Cassino. Ele marca, de forma informal, a transição entre o trecho urbano do Cassino e a área que segue rumo à Praia do Hermenegildo e à Barra do Chuí. Fica um pouco afastado da linha do mar, cercado por vegetação de restinga, o que faz muita gente notar a torre antes mesmo de perceber a trilha de acesso.

Como chegar até o farol

Não existe estrada asfaltada até o Farol Sarita. As duas formas mais comuns de chegar são:

  • De veículo 4×4 pela praia, aproveitando a maré baixa, quando a faixa de areia fica firme o suficiente para rodar com segurança. Essa é a opção mais usada por quem já conhece o trecho ou contrata um guia local.
  • A pé, como parte da Travessia do Cassino, trekking de vários dias que liga o Cassino à Barra do Chuí e passa pelos quatro faróis da região: Sarita, Verga, Albardão e Barra do Chuí. Quem faz esse percurso costuma citar o Sarita como o primeiro grande marco visual depois de horas de areia sem referências.

Em ambos os casos, o horário da maré é decisivo. Com maré alta, a faixa de areia firme desaparece em vários pontos, tornando o trajeto mais lento e, em alguns trechos, inviável para carros comuns.

O que ver no local

Além da torre em si, o entorno do Farol Sarita costuma reservar dois tipos de achado para quem visita: destroços de naufrágios antigos, parcialmente cobertos pela areia e pela vegetação, e fauna silvestre, incluindo leões-marinhos que descansam na praia nessa região mais isolada. Relatos de quem já percorreu o trecho a pé mencionam com frequência o contraste entre a paisagem vazia da praia e o encontro repentino com algum desses animais.

O farol não tem estrutura de visitação turística convencional, como bilheteria ou centro de visitantes. A experiência é mais próxima de um marco de expedição do que de um ponto turístico tradicional.

Cuidados antes de ir

Aqui existe uma diferença importante entre planejar uma parada rápida e enfrentar o trecho sem preparo. A Praia do Cassino, sobretudo a partir do Farol Sarita em direção ao sul, é conhecida por mudanças bruscas de clima: sol, vento forte e chuva podem se alternar em poucas horas, sem aviso prévio. Relatos de quem já fez a travessia reforçam que essa instabilidade não é exceção, é praticamente a regra.

Recomendações práticas para quem for até lá:

  • Verificar a tábua de marés antes de sair, já que ela determina se o trajeto pela praia é viável naquele dia.
  • Levar água e combustível suficientes, considerando que não há posto de abastecimento nem comércio no trecho entre o Cassino e o farol.
  • Evitar ir sozinho ou sem informar o trajeto a terceiros, especialmente em caminhadas mais longas.
  • Não se aproximar de animais marinhos eventualmente encontrados na praia, mesmo que pareçam calmos.

Guias e roteiros especializados em travessia costumam recomendar companhia de quem já conhece bem o percurso, principalmente para quem pretende seguir além do Sarita rumo aos outros faróis.

O Farol Sarita resume bem o que torna a Praia do Cassino diferente de outras praias longas do Brasil: não é só extensão de areia, é também história de naufrágio, isolamento real e uma paisagem que muda de humor em poucas horas. Visitar o farol como parada rápida de carro em dia de maré baixa é uma experiência; encará-lo como marco de uma travessia a pé de vários dias é outra completamente diferente. Vale decidir isso antes de sair de casa, não no meio do caminho.

Perguntas frequentes

Por que o Farol Sarita tem esse nome?

Porque o navio a vapor Sarita foi encalhado propositalmente ali em 1897, como parte de uma fraude para receber indenização de seguro. O farol construído décadas depois herdou o nome da embarcação, não de uma pessoa.

Qual é a altura do Farol Sarita?

A torre atual, construída em 1952, tem 37 metros de altura. Ela substituiu uma estrutura de 1929, que por sua vez havia substituído a torre original de 1909, de 26 metros.

Dá para visitar o Farol Sarita de carro comum?

Não é recomendado. O acesso é feito pela faixa de areia da praia, sem trecho pavimentado, e exige veículo com tração 4×4, além de atenção ao horário da maré para garantir que a areia esteja firme o suficiente.

Quanto tempo leva para chegar ao Farol Sarita a pé?

Depende do ponto de partida e do ritmo de caminhada, mas quem faz a Travessia do Cassino costuma levar entre um e dois dias para alcançar o Sarita a partir dos Molhes da Barra, considerando paradas de descanso e variações de maré ao longo do trajeto.

É seguro ir sozinho até o Farol Sarita?

Não é recomendado, especialmente para quem não conhece bem o trecho. A região é isolada, sem sinal de celular confiável em muitos pontos, sem comércio próximo e sujeita a mudanças climáticas rápidas. Guias especializados em travessia recomendam companhia ou orientação de quem já percorreu o caminho antes.

O Farol Sarita ainda está em funcionamento?

Sim, opera atualmente com lanterna de acrílico como parte do sistema de sinalização náutica da costa gaúcha, orientando embarcações que passam pelo litoral sul do Rio Grande do Sul.

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